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Pastor Metodista Wesleyano, Escritor, Professor, Bacharel em Teologia, licenciado em Pedagogia, Especialista em Bioética e Docência do Ensino Superior, Mestre em Teologia e Educação Comunitária
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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Sensibilidade e Fé Poética


A poesia é feita de escolhas refletidas pela alma. O grandioso João Cabral de Melo Neto escreveu sobre o ovo da galinha. Já o nobre visionário do diálogo entre a tradição e a modernidade, erudição e a simplicidade o poeta Carlos Drummond Andrade escreveu sobre a pedra no meio do caminho, o ousado e autentico Ferreira Goulart sobre bananas podres e muitos outros escreveram sobre inúmeras coisas e variados fatos aparentemente insignificantes, mas de uma natureza preciosa, profunda e reveladora.
A poesia tem seu valor intrínseco, tem suas belezas matizadas, se pode maravilhar-se com a grandiosidade do Maracanã num dia de uma emocionante decisão de campeonato, ou com uma solitária formiga no azulejo do banheiro. São valores diferentes, são informações, admirações, cada qual na sua intensidade. Fernando Sabino disse que: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”.
Quantos momentos intensos aconteceram ou estão acontecendo na vida cotidiana ? Momentos estes que nos tornam poetas temporários ou permanentes, a poesia tem disso. Mas carecemos também de percepção reflexiva de detalhes que podem convergir em poesia, a poesia que nutre é a da experiência consigo mesmo e com Deus, a transcendência pela observação, leitura e relações na esfera das vivencias na cosmologia da biodiversidade,  culminando numa espiritualidade poética, formando um poeta de fé e sensibilidades . 
O Poeta Davi escreveu suas dores, medos, fragilidades e frustrações, mas também viu nos céus, nos pastos verdejantes, nas águas, ...  o zelo e as misericórdias de Deus o Criador e Sustentador.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

MEU HORIZONTE MINHA VIDA

 No horizonte da vida cotidiana enxergamos o que está ao alcance dos nossos olhos, até a linha do horizonte a nossa frente, que na maioria das vezes se encontra limitada pelas paredes, muros, arranhásseis, favelas, clausuras ofuscantes que limitam nosso olhar para vida além do ativismo. Afinal o que é um horizonte límpido, amplo, saudável? Quais são os limites do nosso horizonte em nosso cotidiano secular? A Escritura sagrada relata um versículo que diz: “Se os teus olhos forem bons todo seu corpo será luminoso”. Um corpo é luminoso pelo que vê, pelo que enxergar. Corpos luminosos são o que podemos alcançar mediante nossa vista, até mesmo, com os olhos fechados, até mesmo cegos fisicamente. Estes olhos que se refere à Escritura Sagrada são olhos interiores do ser humano. Mesmo diante arranchásseis, favelas, muros, cadeias, clausuras e as cegueiras reais físicas, podemos ter um horizonte harmonioso, significante, saudável e límpido.
As muralhas que nos rodeiam são muralhas virtuais quando passamos a visualizá-las na mente, não como um empecilho para caminhada, para prosseguir-mos ou na busca da melhor vivencia com qualidade. Mas é essencial enxergá-las com um olhar superior, que não se limita as circunstancias, não olhares altivos e soberbos. Mas humildes, corajosos, esperançosos e de fé.


Nosso horizonte pode ser transformado a medida do nosso olhar, a medida da nossa própria contemplação global. Isto não significa viver na ilusão, mas na certeza de que podemos nos ajeitar, sendo que este ajeitamento só é possível quando se tem esta iniciativa na mente. Visão de possibilidades para estender nossos horizontes e torna-los agradáveis. Jesus disse que tería-mos aflições neste mundo, mas logo em seguida Ele deu uma ordem imperativa "tende bom animo", sabemos que todo cristão obedece as ordens estabelecidas por Cristo, se não tiver-mos animo frente ao horizonte conflitivo deste mundo estaremos desobedecendo esta ordem e o nosso pecado nos leva ao fracasso.
Quando Deus fez uma promessa a Abraão, de fazer dele uma numerosa nação, Deus estimulou Abraão com o horizonte a sua frente, tirou-o de dentro da tenda e pediu para ele contar as estrelas do céu e as areias do mar, se assim pudesse então desta maneira seria sua descendência, numerosa. Mesmo já com cem anos de idade e sua mulher também de idade avançada e além disto estéril, Abraão creu na promessa, tornou seu horizonte possível pela fé, concretizando seu sonho, sendo pai não só de Isaque e Ismael, mas considerado pai da fé e das nações que surgiram de seus filhos. Todos nós podemos também transformar-mos nossos horizontes e buscar-mos a concretização da harmonia dentro dos nossos muros.
Estamos neste patamar horizontal, onde convivemos em ambientes propícios a ruínas dos nossos horizontes, ao fracasso de nossas expectativas. Com isto, nosso estilo focal ótico fará a diferença ao visualizarmos o nosso horizonte diário. A horrenda esterilidade pode frutificar abundantemente e o enfado desanimador, o cansaço paralisante, pode ser transformado em vigor e extrema força.
Uma boa análise de nossos horizontes nos dará a definição real dos enfrentamentos, discordâncias e impactos gerados por ele em nossa vida diária existencial, assim assumimos uma postura com examinadas precauções e bases rígidas, mais sólidas para o desenvolvimento pessoal crescente neste horizonte desafiador circundante.
Nosso horizonte torna-se mais plausível e transformado, quando nossa maneira de enxergá-lo não visualiza somente as laterais da medíocre realidade circundante existente. Mas quando temos a iniciativa de olhar pra cima, para Deus, para o alto, erguendo a cabeça, apartir daí tornar-se-á a visão espiritualizada, corajosa, segura.
O horizonte da vida é formado pela nossa maneira de se portar, de fluir, de ter capacidades de discernimentos, de maturidade, de construtividades interiores pessoais que refletem na natureza de movimentos e falas exteriores.
O horizonte psicológico é extremamente responsável pela sobriedade exterior frente ao desafio do sufoco do horizonte que se fecha na alma, cheio de ressentimentos, cheia de dores, lamentos, aflições e sofrimentos.
O horizonte a minha volta tem uma relação intrínseca com meus reflexos interiores de aceitação ou repugnâncias. Uma decisão radical expressa em atos e palavras que podem mudar o curso e o ambiente dentro dos nossos horizontes.
Então podemos argumentar que nosso horizonte é flexível, vulnerável e complexo apartir das nossas visões pessoais perenes.
O horizonte na qual eu posso transformar e abrilhantar é aquele de minha constante convivência e relações, onde traço diálogos, onde caminho, trabalho e moro, permaneço. Estes ambientes de trabalho, família, estudo, igreja, são ambientes que fazem parte do meu horizonte e são os primeiros a terem que serem transformados. Certo que esta transformação começa em mim, no meu horizonte intrínseco da minha capacidade de refletir e enxergar.
Toda esta trajetória horizontal tem uma grande interligação com a trajetória vertical, ou seja, o espiritual pré-cede o material, como a lei espiritual da semeadura contida na carta de são Paulo aos Gálatas no capítulo 6 e versos de 6 – 10: "Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as coisas boas àquele que o instrui. Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque há seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé".
Esta lei da semeadura é a explicação de muitas conturbações em nossos ambientes e frustrações em nossos horizontes. Quem semeia um sonho e o cultiva, colhe realizações. Quem semeia a palavra, colhe fé. Quem semeia fé, colhe milagres. Quem semeia sorriso, colhe alegria. Quem semeia amor, colhe uma multidão de amigos. Quem semeia bondade, colhe solidariedade. Quem semeia perdão, colhe paz. Quem semeia generosidade, colhe prosperidade. Qual a semente que tu tens plantado? O que tu tens colhido?
Produza você mesmo seu ambiente e amplie seus horizontes apartir de uma lúcida reflexão de suas realidades e relacionamentos em suas constantes semeaduras no ambiente cotidiano existente das vivencias pessoais de seu ser como pessoa.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

RESILIÊNCIA POÉTICA


RRESILIÊNCIA NA POESIA

"As ruínas são restos, mas não do que acaba e sim do que morre pra recomeçar".
Oswaldo Montenegro


“Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido recanto adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu”.
Francisco Otaviano


“A criança que fui chora na estrada
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que sou é nada
Quero ir buscar quem fui onde ficou”.
Fernando Pessoa


Quando o ser humano é exposto a uma situação conflitante, ele tem toda probabilidade de perdas na saúde psíquica, transtornando-o em seu ciclo vital. Após estes traumas as pessoas necessitam de uma retomada a saúde da psique. Na tentativa de estabilizar-se e voltar-se novamente a ser ela mesma. Segundo o médico e psicanalista Aldo Melillo: “a resiliencia é a capacidade dos seres humanos de superar os efeitos de uma adversidade à qual estão submetidos e, inclusive, de saírem fortalecidos da situação”. A definição do pastor Luterano Dr. Lothar Carlos Hoch destaca a particularidade interiorana do ser humano como recipiente da necessária resiliência: “resiliência é a capacidade humana de extrair do íntimo do seu ser uma reserva extra de forças para superar dificuldades”.
A poesia é uma complexa experiência terápica, com uma imensa promoção de forças resilientes, o poeta expõe através de seus versos e estrofes, suas fantasias, sua fé, sonhos, vontade de vencer e até mesmo um desabafo, seja ele pessoal, social, político, eclesial, sexual,... . Em meio à reflexão, descrição e o elaborar do texto poético surge dentro do ser uma energia resiliente, que o capacita para superar o sofrimento. A mente desvia a atenção do problema seja ele emocional, sentimental, financeiro, espiritual, etc, e prioriza esta atenção para formas de recuperação. Assim o ser humano estimulado pela produção poética exercitada em suas faculdades mentais ejeta-se do casulo das situações ofuscantes sociais ou pessoais e prossegue ao futuro com um olhar diferenciado, que supera os efeitos nocivos da real adversidade presente. Como se um poder brotasse do interior do ser capacitando-o para transformar traumas, intempéries e o inevitável em perspectivas positivas de possibilidades, sobressaindo fortalecido em meio o problema.
Na verdade realidades traumáticas e também as situações de extremo risco são avassaladores psicológicos, tornando as pessoas vulneráveis a contraírem o fator decadente, frustratório e paralisante.
O ser humano possui a capacidade resiliente dentro de si próprio, pode ser que alguns possuem com mais intensidade e outros com menos, mas possuem. Algumas pessoas já são ativadas ao processo intrínseco resiliente automaticamente quando surge o problema, ou seja, o próprio problema ativa a força resiliente contida no interior do ser. Outras pessoas precisam ser estimuladas, através de uma mensagem motivacional, uma pregação, sermão, um filme, uma música, uma oração, etc. E também a criação da arte em suas variadas formas, principalmente a poesia, que não só vai despertar a resiliencia, mas ela tem a capacidade de desenvolvimento resiliente dentro do ciclo vital. A resiliencia revelada pelo ser mediante o problema não define uma característica pessoal constante, absoluta, como que se algumas pessoas fossem imunes aos traumas produzidos pelas adversidades. Não sabemos como enfrentaremos certas gravidades, adversidades na classificação de estupros psicológicos, traumas. Da mesma forma a resiliencia na humanidade aflora de formas variadas, uns recuperam rapidamente e outros vagarosamente o seu estado. O poder maior do desenvolvimento da resiliencia concentra-se após uma grande superação, amadurecimento, percepção de valores outrora ignorados e visão positiva dos fatos. A poesia trabalha este fator de visualização do mundo, do ambiente, dos relacionamentos, dos enfrentamentos cotidianos. Concedendo uma sensibilidade para reflexão de situações e gerando confissões, desabafos no divã das frases e das estrofes poéticas terapêuticas.
Dentro desta linha de pensamento, visualizamos a resiliencia na poesia apartir de um reconhecimento da formação do texto poético como uma ferramenta possibilitadora de fornecimentos necessários para a essencial busca de recursos próprios da pessoa para sua proteção não só intrinsecamente, mas também na esfera extrínseca vital.
Algo que é necessário nesta temática é o contato relação com outras pessoas, alguém que acredita no potencial existente e valoriza a produção textual poética pelo que ele representa para quem a criou. Na satisfação de expor o “texto poético”, fruto construído do ventre, de sua psicologia de desenvolvimento mediante expectativas e olhares apreciativos, dos familiares ou amigos. Essas pessoas serão promotores da liberdade e responsabilidade na vida do vulnerável. Seria ótima a formação de um grupo de estruturação da terapia poética, no sentido de obter esta interação com outras pessoas. Onde cada um nesta reunião expusesse seu texto literário poético e sentisse amada, cuidada, por Deus e pelas pessoas. Surtindo o efeito auto-estima pelo reconhecimento de sua obra poética.
São características, como o senso de humor, realismo otimista, que perfazem as bases importantes produzidos na resiliência, um simples sorriso para aquilo que não cabe as nossas forças e não está ao nosso alcance, rir da imperfeição e não chorar desesperadamente, logicamente dentro da normalidade da sensibilidade e consciência humana. Ninguém vai dar ataque de risos diante uma trágica notícia de um falecimento de alguém importante que se ama.
Segundo Vanistendael: “talvez a resiliencia seja a prefiguração mais natural da dinâmica da cruz e da ressurreição”. Como relata o Apóstolo Paulo em sua 2ª epístola aos Coríntios 4.7-11: “Em tudo somos atribulados, porém não angustiados, perplexos, porém não desanimados, perseguidos, porém não desamparados, abatidos, porém não destruídos, levando sempre no corpo o morrer em de Jesus para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues á morte por causa de Jesus, para sempre também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal”.
O exercício poético, bem como o pedido de oração, a carta para Deus expondo as realidades enfrentadas e pedindo a intervenção Divina, contribui gerando resiliencia, superação dos problemas individuais, comunitários, com isso podendo ativamente ser aplicado no âmbito pessoal, social, laboral e pastoral. A poesia é uma despertadora de recursos estagnados no próprio interior do ser humano para prosseguir na sua caminhada, mesmo em meio perseguições, afrontas, adversidades da vida.
A escrita de orações, pedidos de interseções, salmos, nos torna mais espirituais, aguça a fé, pois ajudam na transcendência enxergando-se além das adversidades enfrentadas. A terapia poética desenvolve um complexo processo Resiliênte, gerador de resistência, persistência e sobrevivência frente crises. Destacando-se dentro deste processo a capacidade de amar, perdoar, atuar, ter expectativa de vida, dando sentido a sua existência.
* Frâncel Marzork

sábado, 6 de março de 2010

RAZÃO OU LOUCURA ?


A ESPIRITUALIDADE DA LOUCURA 
E O
CETICISMO DA RAZÃO

A loucura acaba sendo um estado de consciência sacralizado dentro do viés religioso, o santo é aquele que como se interpreta a palavra “hagios” é separado, sua estrutura de pensamento e ação é diferenciada das demais, nota-se sua loucura pelo seu modo de vivenciar o sagrado, que é o que tem mais valor na sua vida, é prazeroso sua confiança no Ser superior que rege e fundamenta sua vida. É comum hoje, não é de se estranhar encontrar um Phd num parque florestal procurando duendes, o fundamentalista religioso matando para defender seu deus e sua religião, não é mais deus que protege mas a ação de combate nutrida de sentimentos religiosos, que opõe-se ao progresso, ao avanço das ciencias, inpulsionado por um legalismo dogmático rígido e suas preocupações moralizantes. A loucura produzida no dia 11 de setembro de 2001, como relatou o teólogo Leonardo Boff, foi a revelação da fúria fundamentalista contra o Grande Satã através da detruição de simbolos da modernidade globalizada. A resposta a ofensiva islamica foi primitiva e fundamentalista em seus atos de guerra e extensa destruição de inúmeros civís, muitas crianças.

O fanatismo é a toca usada pelo fundamentalismo, que desrregra da sã consciencia, da lucidez inteligente, da liberdade e ofusca o brilho do respeito, da vida e do sentimento humano em sua tradição. Achamos loucura a forma de se vestir das mulheres de países islamicos, mas o que eles pensam da louca forma ocidental e da nudez em certos trages típicos da nossa pós-modernidade? São extremos diferentes, enquanto o oriental tem a tendencia de valorizar e espiritualizar a criação em seus aspéctos naturais, matas, animais, que se tornam expressões do sagrado, que devem ser resguardadas. Os ocidentais se emanam do espírito de exploração da natureza e consumismo, se é que hoje podemos pensar assim desta forma.

A loucura convertida é a religiosidade em sua forma domada, domesticada, controlada. Hoje o que mais se vê nas igrejas protestantes são uma nova classe de pessoas que tem o maior prazer de falar de suas loucuras passadas, são os (ex), ex-drogado, ex-prostituta, ex-traficante, ex-homosexual, ex-depessivo, ex-bruxo, e por aí vai. Testemunham suas transformações e se revelam numa nova forma de viver, são loucos por Jesus, viciados no “pó-der” de Deus, no “baseado” na Bíblia.

No passado uma pessoa evangélica era um pouco discriminada, ninguem ousava se passar por um, mas hoje virou moda, status, isso depois das conversões de famosos. Pessoas que tinham tudo e não eram felizes, mas acabaram encontrando a felicidade na louca maneira Cristocentrica de viver dos evangélicos.

Como cristão eu fico a observar os atos de Cristo sobre a face da terra, Ele próprio diz que: “Deus usou as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias”, Jesus um homem que era chamado pela sociedade cheia da razão daquela época, de louco, glutão e beberrão de vinho. Que foi julgado por Simão, pelo fato de ter deixado uma prostituta enxer de beijos e carícias os seus pés, lava-los com suas lágrimas e enxugá-los com seus cabelos. Esse Jesus que vira as mesas dos cambistas, vendedores com suas barracas de bugingangas e animais em volta do templo, ele arranca o chicote e corre atras dos mercadores do templo expulssando-os, valoriza as mulheres numa época de desvalorização é tocado por uma mulher que era considerada imunda por ter uma hemorragia, cura no dia de sábado, come com pecadores, chama fariseus de hipócritas e a loucura da morte de cruz salva o mundo. A loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria dos homens.

Enquanto os judeus esperavam um messias que ia liberta-los a base da espada, da força, da rebelião, Jesus chega com um discurso totalmente inverso, dizendo para orar pelos que vos perssegue, servi o inimigo, se lhe baterem na face, ofereça a outra para bater, isso é loucura, tem que ser muito louco para vivenciar esses princípios num mundo hodierno, tem que ser cabra macho para andar com Cristo na vida, como dizia o pequeno gigante da canção Nelson Ned: "carregar um Jesus pindurado no peito é fácil difício é ter peito para levar Jesus".

O apóstolo Paulo diz que morrer é lucro para ele, porque o viver para ele é Cristo. Se vive, vive para agradar e servir a Cristo e se morrer é vantagem por entrar na glória com o Salvador. Muitos cristãos morreram nas arenas de Roma, mas enquanto um morria na arena, milhares se convertiam nas arquibancadas.

O que dizer sobre a fé que é a certeza de coisas que se esperam e a convicção de fatos que não se vêem? Ter fé não é ter esperança com convicção?, é visualizar o não visto, como se já existisse, parece coisa de louco, mas é assim mesmo. Me lembro de ter lido um livro do Dr.David yomg Cho, que relatava sua experiencia de fé. Ele estava num comodo vazio e orou a Deus pedindo uma bicicleta, uma escrivaninha e uma cadeira, ele não tinha condições para comprar, mas mesmo assim detalhou seu pedido dizendo o modelo da bicicleta, o tipo da madeira da escrivania e a cadeira. Um dia ele fala para sua igreja que já tinha recebido estas bençãos que almeijava, pois entendia que pela fé já havia alcansado. As pessoas foram até sua casa para presenciar o que ele havia falado, então ele explicou que já havia recebido pela fé tudo aquilo, que estava grávido da cadeira, da escrivania e da bicicleta, tudo estava sendo gerado e gestado dentro dele pela fé e que em breve ele estaria vendo a concretização. E assim foi, ele recebeu o que queria da forma como havia discriminado, nos detalhes.

A razão tambem pega no pé da fé, tambem tem uma rincha com a fé, não é só com a loucura, por isso que na fé tambem existe uma grande parte de loucura.

Pesquisas científicas tem demonstrado que a fé é benéfica, até mesmo um número crescente de médicos tem participado de conferencias sobre fé. O excesso de razão fundamentalista científica gera aquilo que é contrário a fé, a incredulidade, que está impregnada na mente de muitos que se julgam intelectuais, detentotores da sabedoria. O camarada faz uma graduaçãozinha já se torna um juiz que julga e não respeitam as pessoas e suas atitudes de fé, mesmo se focem phds, infelizmente são facilmente contaminados pela incredulidade. A própria razão científica já está dando o braço a torcer para a loucura da fé. A falta de fé na maioria de situações é letal. A fé em atividade produz resultados os mais inesperados e surpeendentes possíveis, contribuindo para a qualidade de vida das pessoas, ela previne e até chega a curar, a recuperação é mais rápida pois ela estimula o organismo desencadeando reações positivas.

Os evangelhos estão cheios de expressões como: “Para aquele que tem fé tudo é possível”, “Vai a tua fé te salvou”. A fé é uma confiança racional, que em profunda reflexão e certeza, conta com o fato de que Deus é merecedor e digno de toda confiança, ter fé não é acreditar em si próprio, dizem por aí que: “Querer é poder”, isso é auto-suficiencia, humanismo. A fé são para os loucos que tem a certeza inequivoca de que Deus pode fazer.

Santo Agostinho disse: “Nisi Crediterites, Non Intelligetis”. Em latim quer dizer: “Se não crerdes não entendereis”. Na louca filosofia da fé, não adianta querer compreender para depois ter fé, pois a fé é a confiança nua e crua na ação Divina.

Mais uma vez o apóstolo Paulo ao escrever a sua primeira carta aos corintios diz: “Porque a palavra da cruz e loucura para os que perecem, mas para nós, que samos salvos, é o poder de Deus, porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligencia dos inteligentes, onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura Deus não tornou louca a sabedoria deste mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu na sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. (I Co1.18-21).” Afinal nem os loucos segundo a bíblia erraram o caminho.

Existe dentro do cosmos Loucura e Razão a extrema Loucura pela Loucura – O ser que domina a sua loucura vorazmente acaba sendo um escravo, que vive sob o julgo da razão. A loucura necessita de se alimentar de loucuras, se não ela vai se tornar uma razão elementar, quando a loucura não degusta seus sabores e não sacia sua fome apetitosa ela gera crises, depressões, insatisfações.

Há uma grande necessidade de se entender a loucura do ser, sua beleza, sua estética, sua dor, suas genialidades, seus anseios, é preciso estabelecer esta compreensão de suas formas existenciais. Não há como interpretar suas exposições sem se inserir mentalmente no ambiente, na história, para dissecar momentos em busca da razão da existência do afloramento louco no ser.

Me deparei com uma frase do Dalai Lama estampada num panfleto de propaganda de colchões magnéticos, que me despertou a reflexão por ser algo que estão patentes aos nossos olhos na rotina cotidiana da vida. Estava escrito que o ser humano, perde a saúde para juntar dinheiro, depois perde dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, não vivem o presente e nem o futuro, vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido. Essa é a forma louca de viver no sentido ruim ou é a opção forçada pela razão da vida, da sobrevivência, da ganância.

Não se olha mais para o céu, não se sobe mais em árvore, não se respeita mais a pessoa como pessoa, quando se fala em natureza, simplicidade, amor, parece papo de naturalista, ecologista, Zen. Foge a nossa realidade hoje, não se pode confiar em ninguém, hoje a razão diz que tem que confiar desconfiando, que loucura!
As famílias se trancam em suas casas que possuem toda sorte de tecnologia, se atrofiam nos relacionamentos pessoais sinceros e se entregam aos virtuais que povoam a mente de loucas fantasias. Quantos casais que vivem intensamente romances, traições no âmbito virtual, se satisfazem sexualmente, estão viciados no prazer on-line.

Há um êxodo dos campos rurais para o campo de batalha urbano, acaba se formando grandes favelas, desprovidas de segurança, saneamento. Com a falta de emprego, jovens se entregam ao tráfico de drogas, ao roubo, seqüestros, surgindo às fortalezas urbanas, verdadeiras Babilônias da modernidade, com seus muros rígidos, cercas elétricas e monitoramento 24hs como um Realit Show.

Para a população não surtar o governo tem que copiar os moldes da politica romana que forneceu pão e circo, é fome zero e show, diversão, nudez e futebol.

 O desejo da razão surtada pela loucura – A loucura de certa forma se torna tão atraente, chamativa, que o ser em se, a deseja em sua sã consciencia. Passa ter atração pela loucura, um fascínio inquietante o encomoda. Sua sã consciencia se sente intediada de suas rotinas, seus rituais, sua ação mecanizada. Então este ser passa a desejar a loucura como um caminho para sua transcendencia e libertação. Este desejo pelo estado de loucura é justamente a saída para não tornar a saúde psiquica doente, a pessoa se vê na linha da decisão para amenizar suas carencias, suprir as nessecidades de valorização de suas razões intimas.

A loucura no sentido de insanidade mental, tem todo amparo na lei . O incidente de insanidade mental visa perquirir se o indíviduo, no momento da ação ou omissão, tinha capacidade de entender a ilicitude do fato e agir de acordo com este entendimento. Objetiva, assim, aferir sua higidez mental, declarando-o imputável ou inimputável. Caso seja considerado inimputável, um dos elementos da culpabilidade estará afastado, não podendo se falar em aplicação de pena. Desta forma existe uma manipulação de dados e muito culpado que se passa por insano, se escondendo atrás da loucura, para sair ileso de suas culpas. Almejam a loucura como ponte para fuga das conseqüências de seus errôneos atos loucos.

Quantos loucos de carteirinha que não são doentes mentais, alguns aposentados, encostados, que não querem jamais sair do estado de loucura, ser louco gera renda, subsídio. Não querem ser curados, a loucura é a garantia de sua prebenda. Não são libertos nunca nas correntes de orações, ouvi dizer que um aposentado por insanidade mental havia ganhado como vice-prefeito de uma cidade, que loucura! Acho que foi caçado ou é conversa da louca oposição. Mas esta é a verdade quando a loucura é conveniente, ela passa a ser desejada, são loucos por continuarem a ser loucos. Se for preciso até babam, entram num estado depressivo iminente, para galgarem o laudo positivo das perícias, que virão como um diploma de conquista, pelo deplorável estado de suas faculdades mentais. Podem chegar ao ponto de usarem um modelito de última moda, a camisa de força. Após toda farsa da loucura exposta e a realização de seus objetivos, sejam eles financeiros, marketeiros, ou de impunidade, quando tudo acontece apoiado pela lei na dança da ciência jurídica, os loucos se transformam em verdadeiros ilusionistas, como David Copperfield, tornam-se especialistas em sairem de camisas de forças, deslocam os ombros, soltam algemas, quando de repente estão livres, leves e soltos.

Algo que passa despercebido nos figurinos sociais da vida e não são notados, são os loucos de contrapeso, a sociedade necessita deles, eles dão um equilíbrio na loucura social. Uma sociedade que tem desejo e fascínio pela loucura e precisa de loucos para amenizar suas crises coletivas e sentir-se mais normal. Nela existe a necessidade de se pegar alguém por Cristo, sacrificar um por todos ou canalizar a raiva social na malhação de algum Judas pós-moderno. Há muitas formas de se achar culpados para a culpa que é de si próprio. Muitas maneiras de fantasiar a realidade a fim de moldá-la à necessidade daquele que pretende esconder-se. As sociedades nas suas classes existenciais estão ligadas a loucura e se entregam numa ilusória satisfação de se realizarem na ascensão dos seus loucos emergentes bio-star.

A passagem bíblica do evangelho de Marcos (5.1-20). Conta-se uma história que se encaixa bem em nossa atual realidade social. Jesus havia atravessado o mar da Galiléia e ao chegar na região de Decápolis na cidade de Gadara ou Gerasa, foi-lhe ao encontro um homem possesso de espíritos imundos, ele vivia nos sepulcros e nada o podia prender nem cadeias, nem grilhões, ele os despedaçava. Quando Jesus pergunta o seu nome, o possesso diz “legião é o meu nome, pois somos muitos”. E rogaram a Jesus que não enviassem para fora do país, pediram para entrarem numa manada de porcos que por ali estavam, assim foi e os porcos se precipitaram despenhadeiro abaixo morrendo afogados, vendo os porqueiros o prejuízo se indignaram com a situação, temeram ao encontrar o ex-possesso em perfeito juízo assentado com Jesus. Pediram então para que Jesus se retirasse de lá, saísse da cidade.

O Reverendo Caio Fábio em seu livro “Batalha Espiritual” comenta esta passagem com uma trajetória de contextualizações que revelam não só a história de um homem, mas a história de uma cultura e uma sociedade. As cidades de Decápolis, sua história sócio-política constava um entre e sai de forças que disputavam o poder naquela região, gerando uma cultura de possessão política, econômica, social, a cidade absorveu essa atmosfera adoecida. O Rev. Caio comenta que havia uma relação doentia entre a cidade e o seu possesso de estimação, ele vivia nos sepulcros e não morria de fome, cuidavam dele, as cadeias e correntes que o possesso quebrava não tinha resistência alguma, pois a força de um possesso vai até o limite físico da resistência do osso. Era um contentamento social, um espetáculo de liberdade ver o possesso quebrar as correntes e cadeias, já que não conseguiam quebrar correntes sócio-político-economicas impostas sobre eles. Quando Jesus despossessa o possesso, acaba o show e os moradores ficam aborrecidos. As sociedades necessitam de seus gadarenos, loucos, possessos, para se sentirem normais em meio a impotência e sua própria frustração. As pessoas acabam se realizando pela loucura extravagante do outro. Aquele homem possesso de Gadara, quando questionado, responde a Jesus que seu nome era legião, em meio à opressão e desorganização social o possesso é o único que declara a maior forma de coletividade organizada do momento e denuncia o opressor, as legiões romanas da época, afinal como possesso e louco poderia falar o que quisesse.

Quando não há gadarenos possessos a louca insatisfação de esferas sociais fornecerá a munição para desencadear o transtorno explosivo de críticas, greves, linchamentos e vandalismos, movidos pelo desejo coletivo de extravasar os sentimentos de indignação, impossibilidades e impotência mediante a dura realidade existente no caos social para sobrevivência digna. Mas nos realizamos nas loucas histórias e seus astros iminentes que deram certo. Passamos a amar suas loucuras e nos espelharmos em suas filosofias e vivemos na ilusão nos satisfazendo em frente a tela, como num filme que no fim tudo termina em mil maravilhas ou até em pizzas.

É A LOUCURA QUE DESEJA ?  

Ao  observarmos os explícitos sentimentos agussados e ousados, existentes na esfera da vivencia cotidiana humana, de certa forma, focando o olhar mais para o fascínio das profundas vontades e desejos mais latentes do ser humano, que parecem fugir das normalidades estendidas pela legalista e padronizada razão. Enchergamos o sentimento de desejar não partindo do ser tomado pela razão em seu estado mórbido e lúcido, mas entendemos este desejo como fruto da loucura, que é tida como abstrata, mas é tão real e visível quanto o seu acionário ato concretizado. Que é tida como doença mas sana as carencias em seu mundo e se mostra sem máscaras, sadia.

Essa árvore de densa folhagem, frondosa, frutífera que é a loucura, está carregada de frutos em seus galhos extensos, nela é gerado o suculento fruto do desejo, esta árvore tem suas raízes aprofundadas e afixadas no interior do Ser, na alma, cheio de carencias, com vazios existenciais, medos, traumas, inseguranças, complexos, que são entrelaçados por essas raízes entituladas como ilusões, alucinações, fraquezas, pecados, sonhos e relações.

O desejo como fruto da loucura é uma forma do ser humano não assumir suas vontades, não admitir suas extremas concupsciencias. Transferindo e culpamdo a loucura pela atitude de romper com as regras da correta razão. É a loucura que deseja, almeja, violentamente ultrapassar os limites impostos e estabelecidos pela razão. Só no estado de loucura que o Ser poderia alcansar patamares de sua satisfação egocentrica. Desta forma a loucura seria um estravagante elemento de propulsão para realização do desejo intrinsico do Ser. A externização do que se encontrava embutido na alma, aprisionado em cadeias e cárceres formados por uma consciencia cativa pela razão.

É através da profunda necessidade do ser, de uma carencia instalada na alma, que vai acender no seu ponto de limite, o estado de loucura, na ansia de se encontrar com a realização e a satisfação de suas carencias, sejam elas emocionais, sentimentais, físicas, espirituais, financeiras. O que importa é a realização, no apse da loucura não há olhos para o padrão da razão, das consequencias, do preço a ser pago, não se mede esforços é a ação em busca da satisfação sem medo da razão.

A loucura deseja aquilo que no momento é valoroso, pazeroso, que eleva a uma satisfação pessoal mesmo que seja para alimentar o desejo coletivo. Ela quer a qualquer preço vivenciar essa experiencia nova, ou por mais uma vez experimenta-la. A iniciação do fato, ato, criação, começa com o desejo produzido pela loucura. Como se o Ser fosse atingido derrepentemente por uma flexa de um cupido, que vai gerar um louco desejo ardente. Toda revelação de se próprio, da ardencia deste desejo, mostra-se através de uma erupção de palavras, olhares, gestos, atitudes e reações.

Se não há um desejo a ser revelado pela loucura ela se torna uma verdade ofuscada e oculta em seus sentimentos, não demostrando assim uma figura transparente em sua totalidade aparente, mas com um exteriotipo fragmentado e desgastado no seu prolongado tempo de existência e carência. É por isso que o louco só vai ser louco apartir de uma loucura revelada, da exposição do seu desejo ou da sua atuação na busca pela concretização deste desejo e na própria concretização do ato do consumo.

Não há nada de errado em ser louco para atingir e sancionar suas vontades e desejos, desde que não venhamos ferir a nós mesmos ou quebrarmos os princípios da razão no que tange ao relacionamento com o próximo a natureza e os critérios Divinos. O desejo da loucura vai ter exito no momento em que este louco Ser, tiver uma loucura pensante e não degradante, impulsiva. Obtendo uma consciencia do que é, de onde está, de onde se pode chegar através da loucura ativa pensante. Existe um caminho a ser percorrido até chegar na concretização do desejo, talvéz neste caminho de desafios a loucura se transforme numa intença coragem, determinação e fonte de equilíbrio.

Enxergamos no decorrer da história a loucura do ser se esbaldar em seus tempos e épocas, cada ser com uma retórica diferente, como diz o ditado: “Cada louco com a sua mania”, brincadeirinha, são celebridades da paz, do altruísmo, da beneficiência, longaminidade, do diálogo e da unidade, também célebres sombrios da guerra, dos massacres humanos, da devastação e exploração global, muitos célebres com suas aparentes loucuras, que também ajudaram e contribuíram para desenvolvimento científico, tecnológico e bioético no mundo.

A loucura destemida é confundida com a fé, no seu afloramento ela confronta, enxerga além da realidade, vence obstáculos, produz soluções. A loucura pode ser entendida como genialidade muitas vezes. Muitos homens celebrados pela genialidade tinham grande fé.

Mesmo dentro das mais sombrias chamas incendiárias da vida ela faz ressurgir como phenix a vitalidade do desejo que se havia perdido ou esquecido e apagado. Nessa força excomunal nota-se os diferentes degrais do estado de loucura, na forma do desejo insano avaliado pela consciencia crítica e formalista social política.

A política de regras estabelecidas socialmente e religiosamente através de uma razão maniqueísta irreal, injusta, antiquadra e hipócrita, com princípios manipuláveis e convenientes, gerou uma série de revoluções na história, com surgimento de revolucionários loucos emergentes para suas épocas, incompreendidos, perseguidos, mortos e transformados em mártires, despertadores e iniciadores de uma política que hoje é vista com bons olhos.

A declaração de vias, idéias e conceitos que contrariam os paradigmas acomodados no tempo e tidos como verdades quase absolutas, expostos através dos discurso que emergem das consciencias loucas, soam como uma voz de rebeldia, que transgridem e agridem os detentores da política da razão conveniente. A loucura acaba por assombrar seus valores estabelecidos. A prédica eloquente da intepridez da loucura ousada tem som ameaçador para os ouvidos conservadores e fundamentalistas.

Na ansia de viver a intensidade da vida, em sua total amplitude de emoções, liberdade, saúde e devoções, nascem as facções da loucura e suas tribus, guetos, sociedades, comunidades, regulamentadas cada uma pelo seu próprio desejo, firmadas nas suas vontades mais adversas e inváriáveis. Que lutam incansavelmente pela paz, pelo céu, pelo amor, pelo sexo, pelo dinheiro e outos que se martirizam, recuan-se das mazelas do mundo e suas tecnologias, buscam o prazer na dor do sacrifício de suas vontades e desejos existentes na profana consciencia da loucura assim denominada por eles.

Apesar de uns rejeita-la, outros adorá-la, alguns tem a capacidade de enxerga-la como um mal necessário, ou um bem perigoso. Apesar dos pesares, ela, a loucura, estará acesa na consciência pensante, cheia de revelações expostas pelas reações humanas, transbordantes de desejos, repletos de carencias e sonhos. Através do desejo provindo da ação corajosa da loucura, muitos conquistaram e conquistarão, viverão e viveram, amaram e estão amando intensamente, se alegraram, venceram, descobriram novidades tecnológicas, mataram e morreram, foram queimados vivos, exterminaram cidades inteiras, marcaram gerações, voaram como águias e também foram no mais profundo abismo dos mares, foram para as ruas protestarem, tornaran-se protestantes, produziram arte, romperam com suas incapacidades pessoais, pesquisaram, examinaram, curaram, viram nascer, sorriram e choraram. Este Ser é depende de sua loucura para viver e continuar a desejar com esperança.

Sem olhos preconceituosos, a loucura que deseja, não quer ser julgada, ridicularizada, exposta, classificada, diagnosticada como insãnia mental. Essa loucura está embutida no Ser, como pessoa comum, não anormal, não diferenciada, mas na sua simplicidade de viver e almeijar razões estabelecidas pela sua sã consciencia pessoal.
                                                                                                         *Frâncel Marzork

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O ENSINO RELIGIOSO NO BRASIL


Sobre o Foco de Bons Olhos

O livro de regra de prática e fé dos cristãos, nos relata no capítulo seis do evangelho de São Mateus e versículos vinte dois e vinte três que: “... se os teus olhos forem bons, todo teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus todo seu corpo estará em trevas.” Os olhos são as janelas da alma, por isso não há como realmente não enxergar o progresso do ensino religioso no Brasil, hoje ele se encontra no compasso do sistema educacional, apesar de não ser enxergado desta forma por muitos.
No imperialismo o ER era uma forma de doutrinação legalista, modelo de ensino então chamado de confessional, através da proclamação da republica e o rompimento do estado com a igreja, abriu-se o leque para ventilar os novos ares para a liberdade de culto e o respeito com as diversas religiões existentes no espaçoso campo do cenário religioso do Brasil. Veio o modelo inter-confessional, estabelecido através de um acordo entre entidades religiosas de cunho cristão, pautado no conteúdo extraído da bíblia, livro sagrado dos cristãos.
O modelo atual aparentemente, o supra-confessional, onde existe o respeito à diversidade cultural religiosa nos ambientes públicos escolares, não admitindo proselitismo, pois está baseado nos princípios de cidadania, ética, tolerância e em valores universais, visando o estudo do fenômeno religioso. Terá o seu êxito na formação personal do professor, para um desenvolvimento de um pensar apartir da escola e não das crenças religiosas, mas na busca de um diálogo, sem preconceitos e discriminação.
Notamos que todo este avanço no ER no Brasil se dá através da sistematização e sanção de leis que estabeleceram o ER como parte fundamental no desenvolvimento e na formação do indivíduo como pessoa, cidadão. Sabemos que a condição de disciplina sui generis, facultativa no currículo escolar remete a dubiedade de sentimentos correlacionados ao seu real valor na pedagogia do ambiente escolar. Essa falha esta patente aos nossos olhos, necessitando de um maior aprofundamento da sua natureza e tratamento metodológico.
O que nos preocupa em dado momento com essa resolução de inclusão do ER como área de conhecimento no conjunto das demais áreas é a falta de uma padronização no conceito de formação do professor para o exercício da função em ER. Pensamos ardentemente nesta questão pelo fator desafio, quando se diz que: “Religião não se discute”; e a pluralidade religiosa em salas de aulas, será que o professor está preparado para esta realidade?
Um estado republicano de natureza laica tem por dever assegurar a liberdade religiosa a todo cidadão. A docência do ensino religioso no Brasil de diversidades culturais e pluralistas se torna tão mais delicadas que requerem do professor tamanha habilidade, sabedoria e conhecimento, quanto qualquer outra disciplina escolar.
Os bons olhos contemplam o progresso do ER e requer através de observações críticas, melhores condições de exercício da docência, para desencadear uma tríplice ação entre política de apoio na reformulação de conceitos da disciplina no currículo escolar, formação de professores, definição de conteúdos e desempenho no alvo da concretização formativa com êxito do cidadão.
Na verdade não podemos ter visão conveniente e nem cegueira conveniente do estado real do ensino religioso no Brasil, o momento é de abrir-mos os olhos e enxergar com clareza o caminho que se trilhou até aqui e as possibilidades de trilhá-los ainda mais para obtê-los com penhor da dignidade e igualdade em relação às demais disciplinas curriculares no quadro escolar.
                                                                                                   *Frâncel Marzork
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sábado, 6 de fevereiro de 2010

DESAFIO PEDAGÓGICO E RELIGIOSIDADE JUVENIL

UM CAMINHO PARA A ESPIRITUALIDADE
NO CONTEXTO EDUCACIONAL
Evangélicos,Thiago de Lima e Fernanda Freire seguem os preceitos de sua igreja com alegria e convicção

A inconformidade com a atual realidade no ambiente da religiosidade juvenil hodierna, nos traz desafios que não podem ser subestimado. Mas sim enfrentados de forma realista e a verdadeira atuação frente ao desafio pedagógico é o estreitamento entre as relações do docente e o discente, com companheirismo.
Um conhecimento aprofundado deste novo kosmos emergente desterritorizado, para um planejado em consonância com as características sociais, culturais e cognitivas dos jovens e adolescentes na presente passagem da pós-modernidade para a globalização.
A preparação para essa tomada de re-territorialização contínua atual deve ser um princípio integrado no ambiente de reflexões e ensino que é a educação através da escola secular.
Quando nos transportamos e entramos por um meio mais restrito que é o ensino religioso nas escolas seculares, notamos uma ferramenta de total influência na vivência da religiosidade juvenil brasileira. Apesar da lei instituída pelo governo transmitir uma dubiedade em sua pauta, promovendo a própria desvalorização do conceito ensino religioso e afetando o alvo a ser alcançado por este próprio decreto, pois num Brasil capitalista e consumista, que tem em sua alma o chamado “jeitinho”; o viés da ambigüidade desta lei não motiva a mentalidade de jovens alunos que amputaram de suas mentes o valor dos passos da religiosidade principalmente no contexto escolar como parte integrante da formação básica do cidadão. Isso por não fazer a diferença na balança de aprovações finais. O conceito “capetalista” tem manchado o valor da “Graça”, hessed, como diz Lutero, o favor imerecido, o pensamento que perdura é que só serve o que é pago, o que é caro, ou seja, tem que ter um preço, se é facultativo, se não pesa no final, não tem valor, não precisa esquentar a cabeça. Infelizmente é o que rege na consciência da maioria da juventude brasileira em seus passos já no ensino médio que é a etapa final da Educação Básica. Nesta etapa o jovem deve mais do que dominar conteúdos, aprender a se relacionar com o conhecimento de forma ativa, construtiva e criadora.
Essa lei concernente ao ensino religioso precisa ser reformulada sim, por que vejo nas escolas a grande possibilidade de entender o que se passa no contexto da religiosidade no âmbito juvenil para atingir sua missão com êxito na sociedade, pois o ensino médio ancora-se nos seguintes princípios pedagógicos: identidade, diversidade e autonomia, interdisciplinaridade e contextualização..
As escolas precisam frente este desafio passar a trabalhar com um modelo diferenciado, mais envolvente com sua juventude discente, mais motivacional, afinal Freud nos fala que o princípio da motivação é o prazer, o que poderia gerar prazer nas aulas às vezes enfadonhas e proselitistas do ensino religioso no Brasil? Só mesmo um preparo, uma capacitação qualificada para a área.
O que ocorre hoje em muitos lugares é o pacto da mediocridade segundo o grande educador e antropólogo Darcy Ribeiro: “O professor finge que ensina o aluno finge que aprende”. É preciso de uma boa análise currícular, modelos e dinâmicas para serem aplicadas nas aulas, além de obter um conhecimento dos alunos, seus aspectos biológicos, psicológicos, cognitivos, sociais e religiosos (espirituais).
Como o assunto será abordado em sala e como vai transmiti-lo. Nenhum método sozinho é completo, verdadeiramente a criatividade e a combinação desses métodos são fundamentais para o desempenho com excelência do ensino religioso. Fazendo do ambiente um lugar prazeroso, convidativo, interessante, propiciando uma comunicação eficaz.
Este é o grande desafio pedagógico de hoje, vemos que nem mesmo os padres em suas paróquias e nem os pastores pastoreiam seus rebanhos sozinhos, mas juntos com os stars eclesiásticos da mídia: Pr.Silas Malafaia, Miss.R.R.Soares, Ap.Valdomiro, Pe.Fábio de Melo, Pe.Marcelo Rossi... .O mundo tem se espiritualizado de diversas formas religiosas, místicas, transcendentais, e a realidade da globalização, as tecnologias o excesso de informações, praticamente tem influenciado todo contexto social, eclesiástico e principalmente o ensino, exigindo dos professores a libertação definitiva de certos paradigmas. Além das questões metafísicas, precisam possuir domínios cognitivos relacionados à geometria, lógica, matemática, medicina, astronomia... enfim, precisam ter uma formação básica humanística acrescida dos domínios essenciais das demais áreas do conhecimento. Os alunos de hoje precisam desta mudança, querem vida, querem educadores sábios, gurus, profetas, artistas, místicos. Querem educadores que aceitam esse compromisso de gerar vida na escola, inovadores de consciências, teremos alunos críticos e que saberão viver. A globalização exige esse aprimoramento.
Também acabamos assistimos o descarrilamento do ensino religioso no Brasil em certas localidades e regiões por uma falta de padronização nacional de normas para habilitação e admissão de professores. Grandes lacunas são abertas quando se trata de uma elaboração consciente de conteúdos do ensino religioso, cabendo a Conselhos Estaduais de Ensino, Secretarias Estaduais de Educação e os Conselhos de Educação sua regulamentação. Além disto, existe a possibilidade do Projeto Político Pedagógico de cada unidade escolar adaptar tal legislação à sua realidade.
Notamos que o professor capacitado tem perdido vagas para professores com tempo de serviço ou efetivados que não são capacitados e não se capacitam por já possuírem as aulas nas mãos. Vejo a necessidade de uma mobilização nacional para um levantamento das fragilidades da docência do ensino religioso nas escolas e as soluções para melhor desempenho e eficácia em seus conteúdos e direcionamento de seus alvos na busca de resultados satisfatórios, respeitando o imenso celeiro da pluralidade ascendente religiosa brasileira.
Para que possa ter êxito no quesito formação integral do jovem estudante no âmbito social em sua religiosidade, vai depender mais da formação integral deste professor do que dos próprios jovens alunos.
Um docente que não seja preconceituoso, e que saiba lidar com estudantes que foram educados nos contextos de seus lares, nas mais variadas crenças. Essa pluralidade religiosa em sala de aula vai gerar questionamentos, debates ou até mesmo ofensas de alunos que detém certo fundamentalismo (foram criados assim, não são culpados) contra alunos ou contra os professores, outros alunos estarão descrentes da fé, serão opositores da religião (terão os seus motivos). O professor vai ter que aprender a lidar com isso, com muita cautela, o inesperado sempre surge, por isso tem que haver o preparo.
Dentro do viés da Ciências da Religião o diálogo da inter-religiosidade se distingue a capacidade dialógica entre os indivíduos e suas crenças, através da linha fronteiriça existentes entre as religiões, cada indivíduo tem sua concepção e seu desprendimento, até onde cada um pode chegar diante desta linha, através deste diálogo?
*Uma mente inclusivista fechada – Onde não permite o diálogo, onde o monopólio do salvífico está na denominação religiosa eclesiástica partidária fundamentalista, fora dela não existe vida - Essa mente talvez não possa ter muito progresso no campo jovem universitário e no ER em meio o pluralismo em aulas.
*Uma mente inclusivista aberta – Onde permite-se certo diálogo, mas ainda cheio de preconceitos doutrinários e litúrgicos, onde o monopólio salvífico não se encontra na denominação eclesiástica, mas na pessoa divina de sua crença, Jesus, Buda, Maomé...- Este pensamento também encontrará dificuldades extremas na realidade atual.
*Uma mente exclusivista aberta – É aquela que está aberta totalmente ao diálogo, sem preconceitos, onde se consegue enxergar o sagrado salvífico contido na fé de outras religiões, com respeito – gerando assim não o proselitismo, confessionalismo imposto, mas uma abordagem não tendenciosa, laica, . O profissional que sabe atuar com a mentalidade exclusivista, mesmo tento sua crença e fé pessoal, fluirá melhor para o desenvolvimento sadio da formação integral do jovem no seu contexto religioso. Oportunizando condições necessárias para fazerem suas escolhas, refletirem, prosseguirem estudos e aprimorarem em meio às mudanças e transformações enfrentadas nas relações sociais do mundo hodierno.
* Frâncel Marzork
Professor Dr. Remí Kleim, docente da UNISINOS, Faculdades EST (vice-reitor, pró-reitor acadêmico), Coordenador do FONAPER (Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso).
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BIOÉTICA PERSONALISTA

CENTRALIDADE DA PESSOA
VALOR
INTRÍNSECO E TRANSCENDÊNTE
     A  palavra portuguesa pessoa vem do latim persona, que corresponde ao vocábulo grego prósopon (rosto). O significado originário era máscara utilizada pelos atores quando se apresentavam publicamente. O termo grego veio significar fisionomia. Finalmente, esse termo foi identificado com ser humano. Esse é o termo usado pelos estudiosos da bioética personalista.
Nessa perspectiva personalista a pessoa humana, não depende de nenhuma, convicção social ou religiosa e/ou qualquer código de direito instituído. Isso porque ela constitui em si própria um atributo original, intangível e perene. E por isso, torna-se centro subjetivo e o objeto da ética da vida, ou melhor, o referencial concreto da Bioética Personalista. A dimensão subjetiva é a parte responsável pelos atos humanos extrínsecos. A dimensão objetiva, mostra-nos que alguns atos, de determinada pessoa, afetam diretamente outras pessoas.
Essa centralidade da pessoa humana, é a busca da compreenção do valor ou consequencias de seus atos para si e para os demais, dentro da Bioética Personalista, leva-nos a considarar  o valor intrínseco e transcendente da pessoa humana. O valor intrínseco depende da própria pessoa, não de declarações de outras pessoas, e o transcendente ultrapassa as leis, as condições, as circunstâncias, não é relativo. Essa convicção pode ser demonstrada pele antropologia filosófica.
     Essa antropologia filosófica demonstra que o homem é um ser racional, capaz de auto-consciência, de autonomia. Isso porque seu agir, depende de seu ser-espírito. A pessoa constitui um fim em si mesma, não é um meio para atingir algo. Assim sendo a pessoa humana possui valor intríseco e absoluto, não relativo. Isso vale tanto para eu/pessoa ou outro/pessoa. Desse modo deve-se considerar e salvaguardar o bem integral da pessoa humana em toda e qualquer circunstância. Este é portanto, o critério fundamental da Bioética Personalista.
    Considerando esse critério personalista, percebe-se que os princípios específicos da bioética requerem uma hierarquia de bens de base personalistas, que estabeleceu a pessoa como  o bem mais valioso do mundo sensível.
Nesse contexto de hierarquia de bens, passa-se ao estudo paulatino dos cinco princípios específicos da Bioética Personalista: O valor fundamental da vida, o princípio de unitotalidade, que fundamenta o de totalidade (terapêutico), o princípio de liberdade e de responsabilidade, e o de socialização e subsidiaridade.
*Frâncel Marzork
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Referências Bibliográficas:
*PESSINI, Léo; BARCHIFONTAINE, Chistin de Paul de. Fundamentos da Bioética. São Paulo: Paulus, 1996.
*MOSER, Antônio. Biotecnologia e Bioética. Petropolis: Vozes, 2004.
*BOFF, Leonardo, Ética da Vida. Rio de Janeiro: Sextante, 2005.
*FERREIRA, Sergio Ibiapina; OSElKA, Gabriel; GARRAFA, volnei(coord.). Iniciação a Bioética. Brasília: Publicação do conselho Federal de Medicina, 1998.
*DURANT, Guy. A Bioética - Natureza, Princípios e Objetivos. São Paulo: Paulus, 1995.
*MIRANDA, G. Fundamentos de la bioética personalista. Disponível em http://es.catholic.net/sexualidadybioetica/371/2508/articulo.php?id=4315. Acesso em 27/07/2007.
*SGRECCIA, E. Manual de Beoética I. Fundamentos e Ética Biomédica. São Paulo:Loyola, 1996.
*SCHELER, Max. A Posição do Homem no Cosmos. Rio de Janeiro: Forense, 2003.
*NIETZSCHE, Friedrich. A Genealogia da Moral.São Paulo: Escala, Col. Grandes Obras do Pensamento Universal 20,   

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

DEGUSTAÇÃO TEXTUAL

Deus escolheu um Poeta
(Base - I Samuel 16)
- PARÁFRASE -


Narram os sábios em suas estórias, que em uma época em que as tribos israelitas eram conduzidas pelo último dos Juízes e primeiro dos profetas chamado Samuel, homem de espírito profundamente piedoso, intimo de Deus, de grande discernimento espiritual, que se dedicava por inteiro e com zelo a realização dos propósitos do Senhor Deus para o bem de Israel. Neste tempo as tribos se reuniram para um pedido, após observar as nações vizinhas sentiram vontade de serem guiados não mais por um governo teocrático, mas assim como as outras nações eram, por um governo monárquico, por um homem guerreiro, forte, inteligente.
Samuel não vai a favor desta proposta, mas apesar de toda sua objeção, pois para ele Deus seria sempre o único governante que o povo necessitava. Mediante a petição vibrante das tribos o profeta clama por Deus e lhe pede um sinal. Este sinal aponta para um guerreiro benjamita, filho de Quis, chamado Saul, ele não era fruto do coração de Deus mas do pedido do povo, homem que se destacava em sua época, de estatura alta e formoso em aparência. As vitórias por ele concedida a Israel revelou sua bravura, liderança e o povo o acolheu como rei. Saul foi ungido por Samuel como rei de Israel e trouxe com ele as vitórias sobre povos filisteus, amonitas.
Apesar de ser um guerreiro, as aparências se enganam, revelou-se um homem imaturo diante as pressões dos filisteus e as contendas entre as tribos. Saul buscou com arrogância posições que não lhe era permitida, violando até leis mosaicas. O reinado de Saul entrou em decadência, Deus o rejeitou, o profeta Samuel não mais o apoiou e levantou-se para ungir um novo rei para Israel.
Então o Senhor disse a Samuel:
- Enche um chifre de azeite e vai à casa de Jessé o belemita, porque dentre os seus filhos me provi de um rei.
Foi-se o profeta para sacrificar ao Senhor e ungir um novo rei na casa de Jessé. Era a chegada de um grande homem de Deus na cidade de Belém, os anciãos ficaram preocupados com a presença do profeta e perguntaram se era de bem sua visita. O profeta Samuel convoca-os a santificarem e participarem juntos com Jessé e seus filhos do sacrifício ao Senhor.
Samuel ao entrar-se, deparou com Eliabe, sua beleza e altura despertou o profeta que pensou estar de frente para o escolhido, futuro rei de Israel. Mas Deus conhecendo seu coração disse ao profeta:
-Não atente para sua beleza, nem para sua altura, porque o rejeitei, não vejo como o homem vê, o exterior, mas olho para o extrato da alma, para o coração.
Assim os sete filhos de Jessé um a um passaram diante o profeta, foram rejeitados, todos, cada qual com suas características físicas, intelectuais, suas habilidades, em nenhum deles continha a essência que Deus buscava em seus corações. O Senhor Deus jamais desprezaria um coração contrito, quebrantado, que se expressa em espírito e verdade, na sua pureza e simplicidade.
Jessé havia preparado toda sua casa para receber o homem de Deus, o profeta Samuel, era um dia de expectativas na família, mas ao findar com o sétimo filho de Jessé a frente do profeta e ao ouvir Samuel dizer:
-O Senhor Deus não escolheu a nenhum destes.
Abateu-se o coração de Jessé e o de seus filhos, Deus os havia rejeitado. Samuel ficou sem entender o porquê então de estar ali, porque Deus o havia mandado ungir o novo rei de Israel na casa de Jessé? Depois de um espaço de tempo e angústia, como se Deus soprasse no ouvido de Samuel, ele pergunta a Jessé:
-Mas como pode? Mas..., acabaran-se os seus filhos?
Jessé abaixando a cabeça revela que ainda havia mais um filho, que era o mais moço e estava no campo das ovelhas pastoreando, então Samuel diz:
-Rápido, manda chama-lo, porque ele não foi preparado para minha chegada? Ele deveria esta aqui! Não assentaremos à mesa sem que ele venha.
Aquele garoto era especial, sonhador, gostava de cantar, dançar e não largava sua harpa que havia aprendido a tocar. Na sua simplicidade de ser era incompreendido pelos seu pai e seus irmãos, na verdade ele havia sido mandado para o campo das ovelhas porque era meio rejeitado pelos seus, mas Deus não o rejeitou, os olhos do Senhor estavam naquele campo sobre a sua vida. Quando os servos de Jessé chegaram ao campo para chamar o garoto, ao se aproximarem ouviram o dedilhar da harpa, então pararam atrás de um arbusto para ouvi-lo, sabiam que o garoto estava triste, pois ainda cedo antes de sair para o campo ele viu os preparativos e a alegria de seus irmãos e desejava estar junto com eles, mas foi enviado ao campo das ovelhas pelo seu pai. E o garoto, pequeno pastor, enquanto as ovelhas pastavam junto aos ribeiros de água ele tocava sua harpa derramando lágrimas, e olhando para o céu começou a recitar um poema:

(Salmo 23)
“O Senhor é o meu pastor e nada me faltará
Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto da águas de descanso;
Refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor de seu nome.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estas comigo: a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.
Bondade e misericórdia certamente me seguiram todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do senhor para todo sempre”.

Os servos de Jessé sentiram uma grande paz de espírito ao ouvirem o garoto, um servo ficou com as ovelhas e o outro acompanhou o garoto até sua casa, levando-o na presença do profeta. Ao entrarem, Samuel ficou como parado por alguns minutos olhando para o garoto, ele não era alto, forte, destacado como os outros, mas havia nele algo diferente. O garoto franzino tinha uma beleza encantadora, doce, rosto delicado, ruivo de belos olhos.
Assentado ainda e olhando nos seus olhos o profeta Samuel disse:
-Qual é o teu nome garoto?
Jessé ainda não havia falado o nome do garoto para Samuel e nem Samuel havia perguntado, isso pelo fato de estarem meio apreensivos com a situação e a espera pela sua chegada.
E o garoto então respondeu ao profeta com sua voz meiga e suave:
-Senhor, me chamo Davi.
Samuel ainda sentado meio surpreso e com os olhos fitos no garoto, Deus o despertou lhe dizendo:
-Levanta-te! , e unge-o, que você está esperando? , pois este é ele, ele mesmo.
Tomou o profeta Samuel o Chifre do azeite e o ungiu no meio de seus irmãos e daquele dia em diante o Espírito do Senhor se apossou de Davi.
Davi o poeta do Senhor. Ainda jovem enfrentou animais ferozes para defender as ovelhas de seu pai, enfrentou gigante e grandes guerreiros de batalhas, tocava sua harpa e cantava para que espíritos perturbadores deixassem Saul. Tornou-se rei de toda Israel, venceu grandes guerras, ao conseguir trazer a arca perdida despiu-se das vestes reais e dançou somente vestido de uma estola sacerdotal em frente os carros, tamanha era sua pureza e alegria, aqueles que o criticaram foram amaldiçoados. E como qualquer ser humano, pecou terrivelmente, cobiçou, adulterou, praticou homicídio, perdeu o controle de sua família, passou por inúmeros problemas com seus filhos. Davi, no entanto tinha uma capacidade imensa de constrangimento intrínseco e arrependimento genuíno, assumindo suas faltas, talvez este seja o motivo de ser chamado na bíblia de: “O homem segundo o coração de Deus”. A essência de um coração poético, suas reflexões, seu imenso amor a Deus, o fez transpassar todos os seus problemas e inspirou-lhe a compor várias canções, salmos e poesias. Instruiu seu filho Salomão a guardar os preceitos de Deus e entregou o seu reino a ele, que se tornou também um homem de tamanha sabedoria nas diversas áreas do conhecimento, que vinham pessoas de todas as partes para conhecê-lo. Foi grande escritor de Salmos, provérbios e poemas românticos. Mas esta é outra história.
Sendo, pois, Davi já velho e farto de dias, envolviam-no com cobertores e roupas de cama, mas não se aquecia. Então os seus servos resolveram procurar uma jovem donzela para que cuidasse dele e dormisse nos seus braços, aquecendo seu corpo com o calor de seu abraço, dos seus seios e suas coxas. E achou uma jovem sunamita de nome Abisague, linda, formosa e delicada, porém o rei não a possuiu. Ela o cuidou carinhosamente até que ele descansou, foi sepultado junto aos seus pais na Cidade de Davi e Salomão seu filho assentou no seu trono.
O Senhor Deus prometeu que a descendência do poeta Davi jamais deixaria o trono de Israel (II Sm.7:12-17). Esta promessa se cumpre, precisamente, naquele que recitou o poema de palavras imortais conhecido como “Sermão do Monte”:

Sermão do Monte
As bem-aventuranças

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos, porque herdarão a Terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles.
Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós.
Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos poetas profetas que viveram antes de vós.
(Mateus, 5, 1 a 12) (parafraseando)

Cumpriu-se naquele que em meio a um deserto jejuando e orando por quarenta dias para não cair em tentação, no momento em que sua necessidade física era se alimentar comer. Sendo Ele Filho de Deus rejeitou a proposta do Diabo para transformar as pedras em pães e disse:
“Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda poesia que sai da boca de Deus”. Lucas 4:4 (parafraseando)

O Poeta Jesus, segundo a genealogia, era o herdeiro presuntivo da coroa de Judá (Mt.1:1-17). Por isso encontramos essa revelação nos corações das pessoas mais simples da palestina nas histórias bíblicas, como o cego Bartimeu, que ao perceber o fluxo de pessoas passando por ele e ao descobrir que era devido à presença de Jesus, ele gritou, tentaram cala-lo, mas ele não queria perder aquela oportunidade de ser abençoado. E a frase que exclamava em alta voz, revelava em seus lábios o cumprimento da profecia, ele gritava:
- Jesus “Filho de Davi”, tenha compaixão de mim.
E os seus olhos foram abertos e enxergou o Rei, o Poeta Jesus que escrevia seus versos no chão e no coração da humanidade.
*Frâncel Marzork